segunda-feira, 10 de março de 2014

"Até dois infinitos, mesmo um ninguém..."

"Se conseguisse sanar seus pensamentos,
e entender os meus;
se pudesse penetrar no mais fundo,
no mais raso, e no mais intenso,
sem perder-se de mim
em você,
ou você, no lirismo do belo,
do ideal,

que sonho aqui em mim

Se pudesse fazer rosas sem aculhos,
ou lhe mostrar a beleza na filosofia
que muitas vezes nos machuca;
sustentar o peso do belo, do delicado, 
do que nos encanta, nos excita, 
do que move nossas curiosidades,
e nos fazer andar,

cuspir na cara das adversidades,
no sorriso irônico do mundo...

Não sou nada demais,
nem rei, nem poeta,
nem mesmo um ninguém;
mas, se pudesse,
seria o caminho, seria a pedra,
seria o porto seguro, seria tudo,
e suportaria 

até dois infinitos...

Seriamos isto e aquilo, 
aquilo e o que já fomos,
até algum "final";
até aquilo aonde não conseguimos chegar,
até o ponto em que morremos na praia perseguindo,
olhando para as mesmas estrelas, 
com um mesmo olhar,
e um mesmo sentimento
de ausência do que nos segure,
que nos pare,

e impeça de sonhar."



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